quinta-feira, setembro 03, 2015

Servidores do Estado em Pelotas bloqueiam saída no quartel do 4º BPM
Anderson Rodrigues19:55 0 comentários

Manifestantes mantêm avenida Bento Gonçalves em frente ao batalhão em meia pista


Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 



"Aí tio Sartori. Já estou sem aula. Agora ficarei sem comida".

Este foi apenas um dos dizeres dos vários cartazes que mostraram a indignação das mais de 50 pessoas que se mobilizaram em frente ao quartel do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Pelotas, na manhã desta quarta-feira (2) - terceiro e penúltimo dia da greve unificada dos servidores públicos estaduais contra o parcelamento dos salários. O funcionalismo também critica o projeto de ajuste fiscal protocolado pelo governo do Estado na Assembleia Legislativa que propõe congelamento de salários e de reajustes já homologados, além de aumento de impostos. Na sexta-feira, quem promete estar na frente do 4º BPM são os vereadores de Pelotas. Uma audiência pública proposta pelo presidente do Legislativo, Ademar Ornel (DEM), e pelo Tenente Bruno (PT), será realizada no local a pedido de familiares de policiais militares.
Nesta manhã a ideia inicial era impedir a saída das viaturas e de policiais de plantão para o policiamento ostensivo. No entanto, como a informação "vazou", nas palavras dos próprios organizadores, a maior parte do efetivo foi deslocada para as companhias do centro e do bairro Fragata - frustrando a manifestação.
Mesmo assim, três viaturas e seis PMs não puderam deixar as dependências do quartel, na avenida Bento Gonçalves, entre Santa Cruz e Barroso. O grupo bloqueou o trânsito na avenida e só por volta das 10h, a via foi parcialmente liberada.
Alguns manifestantes se emocionaram durante o protesto. Caso do sargento da reserva Gilsone Cardoso, que durante 27 anos defendeu a Brigada Militar, "sempre com arma na mão". "Hoje luto pelo meu salário, que é um direito que tenho."
Outro policial da reserva, Valério Rosa da Costa, levou a conta de luz ao protesto. O valor cobrado pela CEEE corresponde à metade do que recebeu. "Esta [a conta] eu paguei, mas as outras eu vou deixar [de pagar]. Como vou comprar o botijão de gás, que teve aumento este mês - não sei."
Queli Rios, esposa de um brigadiano, disse que segunda-feira recorreu a um sorteio para decidir o que fazer com os R$ 600,00 que tinha em mãos. "Como temos dois filhos, optei pela compra de alimentos. O restante fica para depois." A preocupação de Queli é com os custos que o atraso vai gerar no futuro, em juros de cartões e em contas que não poderão ser pagas em dia.
Presidente da Associação de Cabos e Soldados, Neimar, concede entrevista à imprensa local

O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da BM em Pelotas, Neimar de Oliveira, reafirmou que o protesto não é só pelo parcelamento do salário, mas pelo desmantelamento do Estado e pela precarização da Segurança Pública. "Se vive estado de calamidade pública. Há um desgoverno e a população não pode pagar por isso."
As professoras Maria e Ana Paula - esposas de brigadianos - também têm o que relatar: "Decidi pegar os meus R$ 600,00 e depositar na conta do meu marido para ele não fiar no vermelho. Não sei como vamos fazer, pois temos dois filhos e precisamos alimentá-los", desabafou Ana. Já Maria lembra que precisa arcar ainda com despesas em medicamentos. Assim como Ana Paula, ela até agora não encontrou uma solução para sair da situação difícil em que a família se encontra.
Efetivo reduzido
Na manhã desta quarta outros sete policiais militares apresentaram atestado médico - expediente a que a categoria recorre para protestar contra as medidas tomadas pelo governador José ivo Sartori (PMDB), já que como militares eles são proibidos de entrar em greve. Somados aos outros seis brigadianos impedidos de deixar o quartel em razão do protesto, o efetivo destinado ao policiamento ostensivo em Pelotas está pela metade nesta quarta-feira . O comandante do 4º BPM, tenente-coronel André Pitahn, minimizou: "Mas temos rendições que são descentralizadas, ou seja, na 1ª e 3ª Companhias. Com isso conseguimos atender a demanda de emergência do 190."
Pithan informa que pela percepção do comando, não houve aumento da criminalidade e sim um acréscimo na sensação de insegurança. "As pessoas têm me perguntado se podem sair as ruas. Isso já é um sinal da insegurança." Já uma fonte da Polícia Civil, no entanto, informou à reportagem que crimes de roubo aumentaram em Pelotas nos últimos dias. 
Como foi
As manifestações tiveram início às 6h45min. Com faixas, cartazes, apitos e sinos, servidores estaduais e familiares disseram que a intenção é passar toda a quarta-feira em frente à corporação. No pátio interno do quartel, apenas uma viatura e a movimentação de poucos brigadianos. Pela entrada lateral, alguns policiais que estavam deixando o serviço foram liberados, mas quem entrava escutava ao longe. "Entra mas não sai".
O protesto também contou com apoio de professores do Estado, policiais civis, agents penitenciários, servidores do Instituto Geral de Perícias (IGP) e de representantes das associações da Brigada Militar.
Outros protestos ocorreram ao longo do dia. No início da tarde, funcionários públicos da área da saúde e também os da Secretaria de Agricultura bloquearam parcialmente o trânsito na avenida Fernando Osório, Zona Norte da cidade, em frente à 3ª Coordenadoria de Regional de Saúde. Enquanto passavam pelo local, motoristas buzinavam para demonstrar apoio. "Queremos que mais gente olhe para nossa mobilização para compreender a situação que vivemos", disse a coordenadora regional do Sindicato dos Técnicos-científicos do Estado (Sintergs), Daniza Dantas

Matéria do Jornal Diário Popular.

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Sobre o autor Anderson Rodrigues é Bacharel em Comunicação Social e graduando em Letras - Revisão e Redação de textos.

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