quinta-feira, outubro 08, 2009

MAIS UMA REVOLUÇÃO BRANCA
TRIBUNO DOS SOLDADOS09:42 0 comentários

A partir da manifestação dos profissionais do baixo escalão da Polícia Militar de Minas Gerais, no dia 13 de junho de 1997, intensificou-se a solidariedade e, conseqüentemente, aumentou o poder de mobilização de PMs de outros estados brasileiros que enfrentavam oficiais e Governo na arena política.
O ciclo de protestos das praças denunciou a crise policial militar brasileira e envolveu treze estados, de norte a sul do país (Pará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina), e no Rio Grande do Sul “Acostumados a reprimir protestos, PMs vindos de dezenas de municípios gaúchos agiram como sindicalistas, marcharam pelas ruas de Porto Alegre e promoveram um silvo que as paredes do Palácio Piratini, mais acostumadas às sinetas dos professores, jamais ouviram. (Zero Hora, 18/07/1997, p. 1)”. “Os PMs marcharam 6 quilômetros em direção ao Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. No caminho, cantando a música-protesto de Geraldo Vandré Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, foram saudados com uma chuva de papel picado e buzinas (veja, 23/07/1997, p. 30)”. No entanto, de pouco valeu esse engajamento na busca por melhores condições de trabalho e remuneração digna, pois, antes mesmo de ser escolhida a comissão que trataria desses assuntos com o Governador Antônio Brito, o então Cabo Moraes, intitulando-se representante das Praças da BM, assinou o acordo que pôs fim a mobilização sem que nenhum dos objetivos fosse alcançado.
Porém, os oficiais da BM sempre estiveram organizados, e, percebendo que o governo estava sensibilizado e que as mudanças no RDBM e Plano de carreira eram inevitáveis, não perderam a oportunidade e, parafraseando o governador mineiro na Revolução de 1930, “fizeram a revolução, antes que as Praças fizessem”. É a chamada revolução branca, cujo objetivo principal é realizar as mudanças sem perder o poder e, como foi o caso, ainda ampliar os privilégios já conquistados.
Desarticulados, as Praças da BM só perceberam o engodo muitos anos após, na época em que deveriam ocorrer as prometidas promoções. Basta ver que o indigitado plano de carreira teve de ser reformado diversas vezes para corrigir injustiças e preterições, sendo que até hoje (diverso do que ocorre com o plano de carreira dos oficiais), não é possível saber quando e quem será promovido.
Nos demais estados, o movimento reivindicatório prosseguiu com diversas conquistas para a categoria, porém no Rio Grande do Sul, a submissão das entidades representativas de classe, fez com que conquistássemos o título de menor salário do país.
Diante desse quadro a governadora do estado acenou com a possibilidade de reajustar os salários da categoria, porém, mais uma vez, os oficiais da BM, trataram de elaborar um projeto de realinhamento salarial e estruturação do plano de carreira, para beneficiar os Capitães, oferecendo como moeda de troca, direitos historicamente conquistados pelas Praças.
O citado projeto foi rejeitado em assembléia pela categoria, porém, mesmo assim, foi apresentado à Governadora, que está sendo pressionada a encaminhar. É a história se repetindo mais uma vez.
Assim, é importante que o praça da Brigada Militar tenha consciência de que, apesar de se inserir em um modelo disciplinar hierárquico, é capaz de reivindicar publicamente, enquanto sujeito de direitos, garantias individuais tais como: liberdade de opinião, de expressão, de manifestação, associação, salário digno, condições satisfatórias no trabalho, dignidade, não-discriminação e igualdade. Lute pelos seus direitos.
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Sobre o autor Anderson Rodrigues é Bacharel em Comunicação Social e graduando em Letras - Revisão e Redação de textos.

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